JORGE RODRIGUES SIMÃO

ADVOCACI NASCUNT, UR JUDICES SIUNT

O governo vergonha do homem decente

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H.L. Mencken Speaks

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 “H. L. Mencken é o cidadão privado mais poderoso da América.”

New York Times, 1926

 H. L. Mencken foi o mais famoso jornalista americano das décadas de 1920 e 1930. Criador de polémicas explosivas, as suas ideias sobre a política, moral, religião, cultura e a estupidez humana aplicam-se com mais actualidade que nunca.

 Assim dizia numa simples amostra:

“Todo homem decente envergonha-se do governo que administra o seu país.”

 Logo devemos envergonharmo-nos de uma série de pessoas que eleitas por outro conjunto de pessoas que não são a totalidade do povo português, ainda continuam maugrado a chamar de “governo”. Tais apoiantes, não são pessoas de bem e decentes. Não sendo decentes, não tem idoneidade para governar e daí que não existe governo.

 “A democracia é a arte e a ciência de administrar o circo a partir da jaula dos macacos.”

 Quando as democracias têm a tendência de atingirem o seu estado mais refinado, em momento de crise recuaram e os parlamentos nada mais parecem que circos, onde os mais aguerridos e comandantes das tribos desavindas, quais animais furiosos, necessitam de ser açoitados e domados e os usurpadores do lugar pertencente a um governo, permanecem afastados das necessidades do povo e dos seus pseudo representantes, encerrados numa jaula imaginária de poder que não possuem, administrando à distância, com medo de serem mordidos.

 “A fé pode ser definida em resumo como uma crença ilógica na ocorrência do improvável.”

 Fé que não fez mover montanhas no Vaticano mas criou o ineditismo de dois papas homens que oferecem o prejuízo de não poderem ser casal apesar de vestidos de branco.

 “Pelo menos numa coisa homens e mulheres concordam: nenhum deles confia em mulheres.” Razão porque a desconfiança surge da união de sexos opostos e para ultrapassar a crise ontológica legalizaram as uniões homossexuais, antinaturais e anticristãs.

 “A monogamia mata a paixão – e a paixão é o mais perigoso de todos os inimigos da suposta civilização.”

  Razão pela qual a maioria escolhe ir para o inferno e nessa constante movimentação de entradas, o esquecimento de fechar a porta tem produzido as mudanças climáticas.

 “Se Roosevelt achasse que converter-se ao canibalismo lhe podia render votos, mandaria engordar um missionário no quintal da Casa Branca.”

 A premonição concretizou-se na pessoa de Barack “Obama”.

 “Todo artista de alguma dignidade é contra o seu próprio país. Pense em Dante, Tolstoi, Shakespeare, Rabelais, Cervantes, Swift e Mark Twain.” Razão pela qual só se pode ser nacionalista sendo contra o país e no exílio, e tal constata-se pelas condecorações atribuídas desde o 25 de Abril de 1974 a todos os que mais falaram contra, para se chegar cientificamente à conclusão de serem os maiores nacionalistas e europeístas, mesmo que a maioria fosse contra e a favor sempre à cautela!

 Henry Louis Mencken foi um glasnost na vida cultural dos Estados Unidos, nas primeiras décadas do século passado. Abominava o sentimentalismo de “revista de moças”, prevalecente na literatura americana, o religiosismo e o eufemismo. Dava o nome aos bois, como a tudo mais. Os seu textos no Baltimore Sun, jornal provinciano que o tornou mundialmente conhecido, e em revistas que editou, como a  “The Smart Set (Gente Esperta)” e “American Mercury”,  abriram o caminho a escritores como Sinclair Lewis e Theodore Draiser, pilares do realismo americano. Sem Mencken, os Estados Unidos não estaria preparado na década de 1920, para receber F. Scott Fiztgerald e Ernest Hemingway.

Edmundo Wilson reconhece que Mencken (a quem dedicou vários ensaios na revista The New Yorker) foi o precursor do modernismo e da modernidade americana. Em “Rumo à Estação Finlândia”, compara, nas devidas proporções, o impacto mundial de Marx e Engels à presença de Mencken e de George Jean Nathan (seu companheiro e crítico de teatro: descobriu Eugene O’Neill, Tennesee Williams e Arthur Miller) nos Estados Unidos. Foi Mencken que fez Wilson ler Henric Ibsen e Bernard Shaw, que no fim do século passado fizeram aparecer a cultura convencional.

Mencken “fez a cabeça” da juventude do seu tempo, diz Wilson. Nada houve de solene em Mencken, pois foi um jornalista literário e um satírico, por excelência. O espectáculo da estupidez humana “fazia o seu dia ”, como Rambo fez o de Ronald Reagan (salivamos de antecipação frustrada em imaginar o que Mencken diria de Reagan, ou melhor de George Bush Jr.). Chamava o sul dos Estados Unidos de “Saara do Bozart” (trocadilho de bufão com Mozart). Ridicularizava, em particular, os fundamentalistas cristãos. Tornou o Estado do Tennessee mundialmente célebre e infame quando, em 1925, descreveu o julgamento do professor secundário, John Scopes, que ensinava Darwin em biologia e não a Bíblia. Mencken também não gostava dos ricos exibicionistas e chamava-os de Boobosie.

Pessoalmente, era mais conservador do que por escrito. A sua ideia de uma noite feliz era ouvir e tocar Brahms e Schubert, se bem que ele e Nathan (autor da frase “bebo para tornar os outros interessantes”) apanharam umas valentes bebedeiras homéricas, enquanto riam dos outros. Mencken é actualíssimo. O mundo regrediu para a parvoíce de que Lee tirou os Estados Unidos.

O jornalista, crítico e filólogo Henry Lois Mencken nasceu em Baltimore, Maryland, a 12 de Setembro de 1880 e estudou no Baltimore Polythecnic. Casou-se, em 28 de Agosto de 1930, com Sara Powell Haardt, que faleceu em 21 de Maio de 1935. Começou a sua carreira jornalística como repórter, e veio a exercer cargos editoriais em diversos jornais e revistas. Morreu na sua cidade natal na noite de 28 para 29 de Janeiro de 1956.

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